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Definitiva e Progressiva, são a mesma coisa?

Definitiva e Progressiva, são a mesma coisa?

Sou um profissional que posso dizer que já fiz quase tudo relacionado a profissão e em cada trabalho que executei adquiri alguma experiência, algumas ainda me são de grande utilidade e outras não gosto nem de lembrar.

Já fui Barbeiro e hoje sou Cabeleireiro. Nesse processo fiz muitos cursos como Penteado, Maquilagem, isso mesmo, MaquiLagem  pois minha professora na época dizia que quem Maquila era profissional e quem Maqueia eram as clientes... Coisas do passado.

Mas esse artigo quero falar sobre a minha experiência e vivência sobre os alisamentos.

Comecei na profissão em 1985 e estava na moda cabelos armados e volumosos e de certa forma amava e ainda amo cabelos volumosos.

Mas haviam aquelas que queriam alisar as madeixas e o que tínhamos nas mãos como artifício químico eram os Tioglicolatos de Amônio e os Hidróxidos de Sódio, Cálcio e Guanidina, além dos alisantes a base de metais conhecidos na época como os alisam e tingem.

 

Muitas mulheres da época, principalmente as que tinham cabelos crespos, eram adeptas desses produtos, havendo assim muitas que queriam os cabelos ainda mais lisos, uma vez que os resultados desses alisamentos muitas vezes traziam muito ressecamento aos fios e os tratamentos da época eram conhecidos como Banhos de Creme, ou seja, as hidratações que conhecemos e não tinham a mesma eficiência do que os de hoje em dia, mas era o que tínhamos em mãos para ajudar um pouco nos resultados. Eram conhecidos como Coquetel de Frutas e Creme de Placenta de Baleia, e somávamos tudo isso com uma touca térmica ou o moderno (na época) Vaporizador.

 

Mas o desejo das mulheres iam além das possibilidades da época, onde os alisamentos não tinham algo eficiente, pois os processos apenas alisavam ao ponto de danificar muito a fibra e o aspecto era muito estranho, muito opaco e ressecado e sem movimento nas madeixas.

Os relaxamentos na época chamados de amaciamento, tinham e ainda tem a função de ajudar as mulheres e homens a ter os cabelos com menos volume, sem mudar muito a estrutura dos fios. Mas a luz no fim do túnel se acendeu quando numa noite, ao assistir o Jornal Nacional a âncora do telejornal Fátima Bernardes, que tinha um cabelo muito volumoso e armado, onde nem a melhor escova feita pelo melhor cabeleireiro da Globo conseguia dar jeito, eis que ela aparece no vídeo com os cabelos lisos e baixos e com um certo movimento que tirou a atenção de todos das notícias e foi assunto em todos os cantos e detalhe: não  tínhamos a internet e muito menos redes sociais, mas o assunto rendeu tanto que acabou precisando ela explicar o que havia feito nos cabelos e assim veio a tona a Escova Japonesa. 

 

Escova Japonesa 

Ganhou esse nome porque o cabeleireiro que criou esse procedimento era um Japonês e trabalhava num salão em Nova York.

Nesse momento muitas mulheres brasileiras começaram a investir em buscar o mesmo resultado indo até esse mesmo salão.

Até o ponto de cabeleireiros venderem apartamentos na época pra investir em 15 dias de curso em Nova York com o cara do momento (não é exagero, eu mesmo conheci duas cabeleireiras aqui da minha cidade que fizeram isso e em pouco tempo tinham recuperado o que investiram), pois a procura era muito grande.

O trabalho era feito a base do Hidróxido de Lítio e que mais tarde foi adaptado para ser feito com o Tioglocolato de Amônio e que também virou febre

 

Acreditem, um cabelo curto Chanel não saia por menos de        R$ 400,00 (quatrocentos reais), podendo chegar em cabelos longos e volumosos a R$ 2.000,00 (dois mil reais), pra época era muito, por isso muitos profissionais que encararam esse investimento se tornaram em pouco tempo os reis e rainhas dos lisos. 

Para se fazer esses trabalhos os profissionais que foram buscar essa técnica começaram a dar cursos aqui no Brasil.

Esse trabalho tem na sua característica uma formação técnica de muita responsabilidade, pois trabalhar com essa química exige cautela e conhecimento.

Mas como tudo no Brasil tem sempre alguém dando aquele jeitinho de conseguir algo mais barato e de fácil acesso, as vezes de forma um tanto quanto macabra, diz a lenda, que dentro de um necrotério no Rio de Janeiro alguém resolveu experimentar o formol em cabelos, pois ao verem que defuntos com cabelos crespos depois do banho de formol para conservação do corpo, viam que os cabelos alisavam. E assim começava a saga das Escovas Progressivas.

 


Essa imagem acima define um momento muito triste na história dos cabeleireiros, onde o desejo das clientes por algo mais barato e "eficiente" acaba por resultar em histórias de profissionais que adquiriram alguns malefícios do formol como uma simples ou enorme alergia, até um câncer fatal nas vias aéreas como nariz, garganta e faringe levando a morte alguns profissionais e eu posso confirmar isso, pois perdi dois amigos inclusive um era o dono do salão que trabalhei.

Teve uma morte relacionada a uma Cirrose Hepática, sem ter bebido uma única gota de álcool.

Eu adquiri uma asma que até hoje gasto o que ganhei com essas escovas, que também fiz por muitos anos, com remédios.

Algumas clientes também tiveram problemas de saúde e até morte por choques anafiláticos ou respiratórios causados pelas progressivas, leia o artigo nesse link:

https://veja.abril.com.br/saude/mulher-morre-apos-fazer-escova-progressiva/

 

Eu quero que esse artigo faça com que você profissional que ainda faz esse trabalho em suas clientes, coloque suas mãos na consciência e acorde. Faça trabalhos de tratamentos para suas clientes.


Não pense que progressiva, selagem ou botox são tratamentos, não são.

 Não existe escovas Progressivas, Selagens e Botox sem formol,
pois ácidos que dizem ser os ativos, são nada mais nada menos ativos adjacentes do formol.

 

Ora, pense comigo e reflita:

Voce acha que se esse trabalho fosse legal e saudável as Grandes Empresas de Cosméticos já não teriam criado um alisante a base de Formol ou Ácidos?

Pois seria mais barato e fácil ter a matéria prima e renderia muito dinheiro para seus cofres, mas no entanto você não vê esses produtos  nos catálogos ou prateleiras dessas grandes empresas.

Parem de acreditar que isso é um trabalho profissional, não é. 

Escova Definitiva ou Defrisagem ou Realinhanento Térmico são   trabalhos técnicos e profissionais.


Escova Progressiva, Selagem e Botox qualquer um faz, basta saber fazer escova e passar uma prancha.

Existem agora também alguns produtos que prometem alisamentos a base de Acido de Enzimas com nomes de:

Enziomoplastia , Realinhamento Enzimático, Nano recuperação enzimática , Defrisagem enzimática,  vejam que até o nome de um  trabalho profissional e técnico esta sendo usado  como forma de dizer que é diferente. 

Também chamada de Escova Orgânica.                                                                                                            

Ou seja o mesmo do mesmo, tudo um disfarce para o problema de liberação da ANVISA.

Valorize-se, trabalhe com produtos que façam tratamentos e tenha em mente que ser cabeleireiro acima de tudo é preciso consciência profissional.

Sei que esse artigo será mais um entre tantos que você já leu sobre esse assunto, mas espero ter feito minha parte, pois o dinheiro no momento é muito importante, mas te digo com experiência, dessa forma, não vale a pena.

O que a Progressiva faz com o cabelo?

Imagine você pegar uma rosa linda e cheia de vida e num gesto de proteção você embala a mesma toda em plástico filme é coloca na água, não deixando nada dela exposta e assim a rosa não irá absorver a água e a consequência será a morte da mesma.

Assim acontece com o fio de cabelo, pois o termo plastificar é o mais adequado a esse serviço. E não adianta aplicar hidratante ou reconstrução pois não absorve mais nada e somente tesoura é a solução. 

A sua saúde é muito importante. Cuide da saúde e do cabelo da sua cliente com consciência. 

 

 

#porummundosemprogressvas
#progressivamata
#progressivaxdefinitiva
#progressivanaoeprofissional

 

Nos vemos num próximo artigo ou na sala de aula


 

 

 

 

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