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A numeração das tinturas "colorações" te confunde?

A numeração das tinturas

Um dos temas que mais confundem profissionais, sejam eles os mais iniciantes a até alguns dos mais experientes, é a nomenclatura de algumas marcas. Como profissional especialista em coloração e colorimetria, não apenas por ter passado cerca de dezesseis mil horas em uma das maiores fábricas de coloração do mundo, que produz centenas de marcas, sei que há alguns detalhes que podem servir de alerta à você que tem dúvidas neste tema. Além disso, como cabeleireiro já há 25 anos, vivi as mesmas dúvidas na minha experiência profissional, até que a vivência me ensinou mais sobre este e os demais temas da colorimetria. Mas, devo contextualizar um pouco o processo para poder explicar melhor.

Primeiramente precisamos entender como funciona, mesmo que de forma simplificada a criação de uma marca. Talvez você não saiba, mas grande parte das marcas de produtos não tem fabricação própria. Por este motivo, as marcas que não fabricam seus próprios produtos recorrem a empresas terceiristas, que possuem a expertise para isso. Lá elas geralmente são apresentadas a várias opções, e elas não apenas podem sim criar suas próprias versões de produtos dentro de certos padrões, como podem aderir a uma formulação padrão. Sabendo disto, já somos capazes de compreender que há empresas com cores diferentes com a mesma nomenclatura, ou seja, que foram personalizadas segundo os desejos da marca. A vantagem deste modo de trabalhar é que, tendo uma equipe de profissionais exigentes e que estão dispostos a melhorar o produto, e as cores resultantes, somos apresentados a novas opções melhores, ou ao menos diferentes. Por outro, lado cria um problema para seguirmos uma metodologia de combinação de tinturas.

As marcas que não optam por fazerem suas próprias cores, já que é um processo lento e caro, podem decidir por vários outros caminhos. O mais comum é a escolha de cores já prontas. Dentre as opções, muitas vezes há várias opções de uma cor só. Umas mais quentes, outras mais fechadas, outras com maior ou menor cobertura, e por aí vai. A escolha geralmente é feita baseada nas cores melhores ranqueadas nas vendas, escolhendo, por exemplo, as 40 ou 50 mais bem vendidas na região em que a marca vai concentrar sua atuação. E mesmo que seja escolhida comparando a venda nacional, sua escolha é baseada pelo que vende bem.

Porém, esta prática cria alguns problemas! O primeiro é o que lidaremos neste texto, e futuramente trarei novos conteúdos para você. O problema que surge é que, tendo estas marcas pouco critério em relação à escolha do produto, eles também costumam ter pouco com as numerações. O fato de escolherem produtos padronizados, muitas vezes por não serem especialistas no tema, os faz também escolherem as numerações baseadas no ranking das que mais vendem.

Por exemplo, até minha última verificação do ranking das cores mais vendidas, o 12.89 vendia mais que o 12.21. O caso é que estas cores eram exatamente a mesma fórmula, postas em marcas que tinham predileção por numerações diferentes. Algumas escolhiam por 12.21 porque na sua cartela o 2 é irizado e o 1 é cinza, facilitando a compreensão do que é a cor. Porém há marcas que usam o número 12.89, pois a numeração é mais conhecida, e foi a Wella que a lançou e popularizou este número.

Assim, há marcas que procuram uma coerência entre suas numerações, e fazem com que todas as suas cores sejam entendidas num único padrão, e há marcas que buscam que suas cores sejam mais facilmente identificáveis com cores “mais conhecidas” de outras marcas que são referências no mercado. E nenhuma está necessariamente certa ou errada. É tudo uma questão de estratégia comercial entre outras coisas.

Há ainda outros casos que causam estranheza. Por exemplo, há marcas que possuem na sua cartela o 6.66, que na L’oreal é vermelho intenso. Outras usam o número 6.60 para a mesma cor vermelho intenso, e usam o numero repetido para reflexos profundos. A diferença entre profundo e intenso são as intensidades onde uma é mais luminosa/intensa, e a outra é mais fechada/profunda. Para complicar ainda mais, ainda existem marcas que, dentro da mesma cartela usam o 6.66 para vermelho intenso, ao passo que usam 4.77 para marrom profundo. Estranho não é mesmo?

Esta questão, que poderíamos dar ainda mais exemplos, pois trabalhando em salões diversos, distribuidoras e marcas, além da já comentada empresa fabricante, pode tirar o sono de alguns e induzir outros ao erro. Pense em como seria comprar o nosso 6.66, acreditando ser intenso, e ao terminar o tempo de pausa descobrirmos que se tratava de um vermelho fechado! Imagine se fosse apenas um retoque de raiz em que, a cliente teria uma cor no comprimento e outra diferente do que acabou de fazer! Certamente, sou capaz de imaginar você ouvindo a reclamação da cliente, e ligando para o distribuidor reclamando do produto.

Mas calma, porque, embora possa listar uma série de cores que podem ser mal interpretadas por causa das numerações, quero te ajudar dando quatro dicas principais que vão solucionar estes e outros problemas, além de te ajudar a se especializar ainda mais em colorimetria capilar. E a dica é muito simples, beirando ao óbvio. Mas, o sucesso é uma sequência de atitudes óbvias tomadas com inteligência!

  • A primeira é: Não leia apenas a numeração! A maioria das marcas etiqueta suas tinturas com o numero e o nome da cor, e embora alguns erros possam acontecer, esta nomenclatura é mais segura do que olhar apenas a numeração.
  • Segundo: Examine a cartela! Um jeito simples de saber a cor que está no tubo antes de buscar o produto no estoque é olhar a cartela não apenas para a mechinha. A mecha posta ali pode ser um artifício de marketing, e ter cores chamativas baseadas em um resultado possível. Mas, pode ser que você deixe passar batido algum detalhe da descrição dela, ou de como a marca segue ou não um padrão de numeração.
  • Terceiro: Entenda definitivamente que, não existe numeração universal, e que não é culpa da marca, ao menos não integralmente pela nossa falta de atenção a estes detalhes. Se você for à um treinamento da marca, não deixe de questionar os técnicos dela para entender o posicionamento sobre o tema. Aproveite para tirar dúvidas adjacentes sobre como identificar as numerações desta marca comparativamente com a que já está acostumado. Isso pode facilitar muito sua decisão pela troca de uma marca por outra, caso seja o que estiver buscando.
  • Por último, a mais importante: É você se responsabilizar pela escolha do produto, conhecendo-o antes de aplicá-lo! Alguém pode dizer: “Mas Belo, não é seguro olhar para a numeração e a nomenclatura para saber qual o produto que estou comprando?”. Em parte sim! Mas, além das numerações e nomenclaturas, há diferenças entre cores com os mesmos nomes e numerações de uma marca para outra. Lembra-se de que disse à você que uma marca pode pedir para personalizar seu produto? Então, é possível que a pessoa que pediu ajustes tenha um modo diferente de entender o quanto uma tintura deve cobrir brancos, ser quente ou fria, ser opaca ou brilhante. Logo, confiar apenas nas descrições pode ser o motivo de que muitos reclamam que não obtém resultados iguais ao trocar de marca. Pois de fato não obterão sempre. Cada marca tem o direito de personalizar seus produtos, com base nos seus próprios critérios.

Por isso, sempre faça testes comparativos. E antes que ache que isto é difícil, minha dica para simplificar isto é que pegue um pouco de cada, respeitando suas medidas de uso, e aplique cada mistura em uma mecha de cabelo dividida na metade. Você simplesmente pega esta mecha, separa duas partes, e ao aplicar os produtos em uma situação igual, você poderá ver o resultado de ambas após o tempo de pausa sem interferências extras. Se fizer este teste, poderá saber em menos de uma hora se as duas marcas tem tinturas com resultado final igual, ou se há alguma diferença entre elas. Repare bem nestas diferenças, e antes de descartar um produto por não ser igual ao outro, considere em que situações ele pode ser útil. Pode ser que seja aquela que te faz falta e que não precisará de misturas para dar o tom desejado por sua cliente.

Espero que com estas dicas sua vida seja, talvez não mais simples, mas que traga resultados mais precisos. Entendo que quanto mais detalhes observamos, consumimos um pouco do nosso tempo no começo, mas que compensa no resultado final mais especializado.

Se gostou da matéria, ou se precisa tirar alguma dúvida, deixe seus comentários ou sugestões. Estarei preparando algo especial para esclarecer o que puder!

 

Rogério Belo

Educadores da Beleza - Colorimetria
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Escritor, Expert e Máster em avaliação, aprovação, experimentação e desenvolvimento de produtos de colorimetria capilar Meu trabalho é ajudar empresas e equipes técnicas a desenvolver metodologias e trabalhos em coloração capilar. Conte comigo!

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